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Acesso à Bíblia: mais de 500 milhões enfrentam barreiras

Publicado em 18/10/2026 · Redação Portal Católico da Fé · Revisado periodicamente pela Equipe de Catequistas

Papa Francisco saúda fiéis sob chuva em Tacloban, Filipinas, em 2015

Foto: Benhur Arcayan, Domínio público

Resumo

  • Mais de 500 milhões de cristãos vivem em países onde ler ou ter uma Bíblia é difícil ou perigoso.
  • O relatório Bible Access List 2026 analisou 106 países e mostra que ter a Bíblia disponível não é o mesmo que ter acesso a ela.
  • No Brasil, onde a Bíblia está a um toque no celular, o dado convida a valorizar a Palavra e rezar pelos irmãos que não podem lê-la.

Relatório mostra que a Bíblia nem sempre está ao alcance

Mais de 500 milhões de cristãos vivem em países onde ler ou simplesmente ter uma Bíblia é difícil. Em alguns lugares, é até perigoso. Os números estão no relatório Bible Access List 2026, divulgado no dia 1º pela Bible Access Initiative, organização que acompanha o tema no mundo todo. A notícia foi publicada pelo jornal O São Paulo, da Arquidiocese de São Paulo.

Esta é a segunda edição do levantamento. Na primeira, feita no ano passado, foram analisados 88 países. Agora, são 106. O estudo observa obstáculos políticos, religiosos, econômicos e de tecnologia.

A ideia central do relatório é simples: ter a Bíblia disponível não é o mesmo que ter acesso a ela. Nunca houve tantas traduções, edições impressas, áudios e aplicativos. Mesmo assim, para centenas de milhões de pessoas, a Bíblia continua longe do alcance prático ou seguro.

Quando ter uma Bíblia vira risco

O dado mais pesado diz respeito à perseguição. Segundo o relatório, mais de 500 milhões de cristãos têm dificuldade para obter ou usar a Bíblia. O motivo pode ser perseguição, restrição de governos, violência de grupos extremistas ou pressão da própria família e da sociedade. Mais de 250 milhões vivem em condições classificadas como "muito difíceis".

Os países com restrições no nível máximo são Afeganistão, Iêmen, Somália, Coreia do Norte e Eritreia. A Mauritânia aparece logo atrás. Nesses lugares, a questão vai além do preço do livro. Imprimir, importar, distribuir, guardar e até possuir uma Bíblia pode ser controlado ou proibido. A punição pode ser prisão e, em casos extremos, morte.

O relatório faz questão de dizer que isso não significa ausência total das Escrituras. A estimativa é que cerca de 125 milhões de cristãos, em 81 países, queiram ter um exemplar pessoal e não tenham. As causas vão das leis restritivas à pobreza e à falta de estrutura.

Pobreza, estrada ruim e pouca escola também pesam

Nem toda barreira vem de perseguição. Mais de 550 milhões de cristãos, em 33 países, enfrentam obstáculos sérios ligados à pobreza, à falta de energia elétrica, a estradas precárias, à baixa alfabetização e ao acesso limitado à internet. Nesses contextos, cerca de 82 milhões não têm uma Bíblia própria.

O levantamento também aponta onde falta mais material impresso para quem deseja ler. República Democrática do Congo, Etiópia, Nigéria e Índia aparecem com déficit estimado de mais de 10 milhões de exemplares cada. Uganda vem em seguida, com algo entre 5 e 10 milhões.

O celular nem sempre resolve

Muita gente imagina que o aplicativo no celular acabou com o problema. O relatório mostra que não. Mais de 400 milhões de cristãos, em 42 países, não têm acesso à internet.

Outros 277 milhões vivem em 48 países onde consultar a Bíblia na internet pode ser arriscado ou restrito, por causa de vigilância, censura ou ameaça de repressão. Ou seja, o texto pode existir em algum site do mundo, mas o fiel não consegue lê-lo com segurança.

O que isso diz a quem vive no Brasil

Aqui, a realidade é bem diferente. Você compra uma Bíblia em qualquer livraria, baixa de graça no celular e encontra a leitura do dia em segundos. Por isso, o gesto parece natural. Em outras partes do mundo, o mesmo gesto pode ser um testemunho de fé com consequências reais.

A Igreja sempre defendeu que a Palavra de Deus chegue a todos. O Concílio Vaticano II, no documento Dei Verbum, pede que os fiéis tenham amplo acesso à Sagrada Escritura. São Jerônimo resumiu a razão com uma frase conhecida: ignorar as Escrituras é ignorar Cristo.

Que tal transformar a notícia em gestos simples? Veja algumas ideias para a semana:

  • Leia hoje o Evangelho do dia, com calma, em voz alta, na sua casa.
  • Reze pelos cristãos que não podem ter ou ler a Bíblia, citando os países do relatório.
  • Converse com os filhos ou netos sobre a sorte de ter a Bíblia ao alcance da mão.
  • Pergunte na paróquia se há grupo de leitura bíblica e participe.
  • Se tiver uma Bíblia parada na estante, tire o pó e abra numa passagem que lhe faça bem.

Se você quiser um ponto de partida, o portal reúne conteúdos sobre a Bíblia e orações para o dia a dia. Para acompanhar outras histórias da Igreja pelo mundo, veja também as últimas notícias.

Na próxima vez que abrir sua Bíblia, lembre-se dos milhões de irmãos que gostariam de fazer o mesmo sem medo. Reze por eles um Pai-Nosso e peça a Deus que a Sua Palavra chegue a cada um deles.

Fonte

Notícia escrita pela redação do Portal Católico da Fé com informações de O São Paulo.

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