Muita gente aprendeu o Credo de criança, junto com o Pai-Nosso e a Ave-Maria. Rezamos na Missa de domingo, no começo do terço, no Batismo dos sobrinhos. Mas, de tanto repetir, às vezes as palavras passam sem que a gente pare para pensar no que está dizendo.
O Catecismo lembra que a palavra Credo vem do latim e quer dizer "creio", a primeira palavra da oração. Essas fórmulas também são chamadas de "símbolos da fé", porque funcionam como um sinal de reconhecimento entre os cristãos (§187).
Na Missa, você já deve ter ouvido duas versões. A mais curta é o Símbolo dos Apóstolos. Segundo o Catecismo, ele recebe esse nome por ser considerado o resumo fiel da fé dos Apóstolos e por ser o antigo símbolo do Batismo da Igreja de Roma (§194).
A versão mais longa é o Credo de Niceia e Constantinopla. Ela nasceu dos dois primeiros concílios ecumênicos, nos anos de 325 e 381, e até hoje é comum às grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente (§195). As duas dizem a mesma fé. A longa só explica melhor alguns pontos, como a divindade de Jesus.
O Catecismo segue o Símbolo dos Apóstolos para organizar o ensino da fé (§196). Desde os primeiros séculos, os cristãos dividem esse texto em doze artigos. Os antigos comparavam os artigos aos membros do corpo, que são distintos e ligados entre si (§191). É essa divisão que vamos seguir.
Artigo 1: Deus Pai, todo-poderoso e criador
"Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra." A fé começa por Deus, que é o princípio e o fim de tudo. O Credo começa pelo Pai porque Ele é a primeira Pessoa da Santíssima Trindade (§198).
Dizer que Deus é todo-poderoso não é falar de um poder frio. O Catecismo explica que esse poder é universal, amoroso e misterioso, e que só a fé o reconhece quando ele parece ausente, como na cruz (§268). Para quem atravessa uma doença ou uma perda, essa é uma frase de consolo.
Chamar Deus de criador significa crer que nada existe por acaso. A Bíblia começa com "No princípio, Deus criou o céu e a terra", e o Credo retoma essas palavras (§279). Tudo o que vemos, e também o que não vemos, como os anjos, vem das mãos de Deus.
Artigos 2 a 4: quem é Jesus
"E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor." O nome Jesus, em hebraico, quer dizer "Deus salva" (§430). Cristo quer dizer ungido, o Messias esperado. Filho único indica que Ele é Deus como o Pai. Senhor é o título que os primeiros cristãos davam a Deus.
"Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria." Aqui está o mistério do Natal. O Credo de Niceia diz que, por nós e para nossa salvação, o Filho desceu dos céus e se fez homem (§456). Por isso Maria tem um lugar tão especial na fé, como lembram os textos da categoria Nossa Senhora.
"Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado." O nome de um governador romano aparece no Credo para lembrar que tudo aconteceu de verdade, num tempo e num lugar. O Catecismo chama a cruz e a ressurreição de mistério pascal e diz que esse é o centro da Boa-Nova (§571).
Artigos 5 a 7: ressurreição, céu e juízo
"Desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia." A expressão mais antiga era "desceu aos infernos", o que confunde muita gente. Não se trata do inferno dos condenados. O Catecismo explica que Jesus, antes de ressuscitar, esteve na morada dos mortos e levou a salvação aos justos que o esperavam (§631 e §632).
A ressurreição é a verdade mais alta da nossa fé em Cristo, como ensina o parágrafo 638. Sem ela, a fé perde o sentido. É por isso que o domingo, dia da ressurreição, é o dia mais importante da semana cristã.
"Subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso." Estar à direita do Pai significa participar do poder e da glória de Deus também com a sua humanidade (§659 e §668). "Donde há de vir a julgar os vivos e os mortos." Cristo voltará no fim dos tempos e revelará o que cada coração escolheu (§682).
Artigos 8 a 10: o Espírito, a Igreja e o perdão
"Creio no Espírito Santo." O Catecismo lembra uma frase de São Paulo: ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor a não ser pela ação do Espírito Santo (§683). Ele é a terceira Pessoa da Trindade, que age na Igreja, nos sacramentos e na oração de cada um.
"Na santa Igreja Católica; na comunhão dos santos." A Igreja é una, santa, católica e apostólica, quatro marcas que andam juntas (§811). A comunhão dos santos é a ligação entre todos os que pertencem a Cristo: nós aqui na terra, os que se purificam depois da morte e os santos do céu (§946). É por isso que pedimos a intercessão de santos como Santo Antônio.
"Na remissão dos pecados." O Credo liga o perdão dos pecados ao Espírito Santo e à Igreja, porque foi ao dar o Espírito aos Apóstolos que Jesus lhes confiou o poder de perdoar (§976). Esse perdão chega a nós pelo Batismo e pela Confissão.
Artigos 11 e 12: a ressurreição da carne e a vida eterna
"Na ressurreição da carne." O Credo termina com a esperança. Cremos que, no fim dos tempos, os mortos vão ressuscitar, e não apenas a alma vai viver: o corpo também participará da vida nova (§988). Por isso a Igreja trata com respeito o corpo dos falecidos.
"Na vida eterna." Para o cristão, a morte é a passagem para junto de Cristo (§1020). A vida eterna não é um prêmio distante, mas a comunhão plena com Deus que começa já pela fé.
"Amém." A última palavra retoma a primeira. Dizer amém é dizer "creio" de novo, é confiar totalmente em Deus (§1061 e §1064). Quando você termina o Credo, está assinando embaixo de tudo o que acabou de rezar.
Perguntas que muita gente faz
Posso rezar o Credo sozinho, em casa? Pode e deve. O Credo é uma oração, não só uma fórmula da Missa. Muitas pessoas rezam ao acordar ou antes de dormir, e ele abre o terço. Veja outras orações na seção de Orações.
Por que na Missa às vezes rezamos um e às vezes o outro? Os dois são aprovados pela Igreja. O Missal prevê o Credo Niceno-Constantinopolitano e permite usar o Símbolo dos Apóstolos. A escolha cabe à celebração; não há erro em nenhum deles.
E se eu tenho dúvidas sobre algum artigo? Ter perguntas não é falta de fé. O Catecismo diz que crer é um ato pessoal, mas também da Igreja: quem diz "creio" se une à fé de todos os que vieram antes (§185 e §197). O caminho é estudar, conversar com um padre ou catequista e rezar pedindo luz.
Como rezar o Credo com mais atenção
Uma sugestão simples: durante uma semana, escolha um artigo por dia e leia os parágrafos do Catecismo indicados acima. Depois, reze o Credo inteiro devagar, parando um instante na frase daquele dia. Em doze dias, você percorre toda a profissão de fé.
Outra prática bonita é rezar o Credo no aniversário do seu Batismo. Afinal, o Catecismo lembra que recebemos esse símbolo no dia em que fomos batizados (§197). Se você não sabe a data, a paróquia onde foi batizado pode informar pela certidão.
O texto completo do Catecismo está disponível gratuitamente no site do Vaticano. A parte sobre o Credo começa no parágrafo 185 do Catecismo e segue até o 1065.