Caminho foi publicado em 1939, em Valência, por São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei.
São 999 pontos curtos, como conselhos de um diretor espiritual, sobre oração, caráter, trabalho e apostolado.
Ótimo para ler aos poucos, um ponto por dia. Nota do portal: 4 de 5.
Quem foi São Josemaria Escrivá
Josemaria Escrivá nasceu em 9 de janeiro de 1902, em Barbastro, no norte da Espanha. Ainda criança, perdeu três irmãs pequenas e viu o pai ir à falência. A família se mudou para Logroño. Ali, numa manhã de inverno, o adolescente viu na neve as pegadas de um frade carmelita que andava descalço. Aquela imagem despertou nele o desejo de dar a vida a Deus.
Foi ordenado padre em 1925, em Saragoça, e depois foi para Madri. Em 2 de outubro de 1928, durante um retiro, fundou o Opus Dei, uma instituição da Igreja que propõe a santidade no meio do mundo, por meio do trabalho comum e dos deveres de cada dia.
Viveu a Guerra Civil Espanhola, quando padres eram perseguidos, e precisou se esconder e fugir. Em 1946, mudou-se para Roma, onde morreu em 26 de junho de 1975. Foi beatificado em 1992 e canonizado por São João Paulo II em 6 de outubro de 2002. A homilia da canonização está no site do Vaticano.
Como o livro nasceu
Caminho nasceu das anotações que o jovem padre fazia durante a direção espiritual de estudantes e trabalhadores em Madri. Ele anotava ideias, conselhos e frases que surgiam na oração ou nas conversas.
Uma primeira versão, menor, saiu em 1934, em Cuenca, com o título de Considerações Espirituais. O texto foi ampliado durante a guerra civil, em Madri e em Burgos. A edição definitiva, com o título Caminho e os 999 pontos, foi publicada em 1939, em Valência.
Desde então, o livro foi traduzido para dezenas de línguas e vendeu milhões de exemplares. Está entre os livros espirituais mais difundidos do século XX.
Do que trata o livro
Caminho é formado por 999 pontos numerados, agrupados em 46 capítulos com títulos curtos, como Caráter, Oração, Trabalho, Humildade, Vida de infância e Apostolado. Cada ponto tem de uma linha a um parágrafo.
O autor fala diretamente com o leitor, usando você, como um diretor espiritual numa conversa franca. Às vezes encoraja, às vezes corrige com firmeza, às vezes faz uma pergunta que fica martelando. O livro foi feito para provocar, não para ser lido de uma vez.
As ideias centrais
A ideia principal, que também é a do Opus Dei, é que todos são chamados à santidade, não só padres e religiosos. O trabalho bem feito, oferecido a Deus, vira caminho de santificação. O estudante, a dona de casa, o médico e o pedreiro podem ser santos no lugar onde estão.
Outra ideia forte é a da coerência. O livro insiste que não basta ter boas intenções. É preciso força de vontade, constância nas pequenas coisas e coragem para não se esconder. Muitos pontos falam do valor do minuto bem aproveitado e do pequeno sacrifício feito sem reclamar.
Por fim, há a ideia de filiação divina. Por trás da exigência está a confiança de um filho que se sabe amado por Deus Pai. O capítulo sobre a vida de infância espiritual lembra a espiritualidade de Santa Teresinha.
O que mais marca na leitura
A objetividade. Os pontos vão direto ao assunto, sem rodeios. Muitos leitores contam que abriram o livro ao acaso e encontraram exatamente a palavra que precisavam naquele dia.
Também chama a atenção a valorização do trabalho. Numa época em que se pensava a santidade longe do mundo, Escrivá falava de santificar o escritório, a oficina e a cozinha. Essa ideia ganhou força no Concílio Vaticano II e hoje faz parte do ensino comum da Igreja.
E marca o ânimo. Mesmo quando corrige, o autor quer que o leitor recomece. A ideia de começar de novo, quantas vezes for preciso, aparece em vários pontos.
Para quem indicamos
Para quem tem pouco tempo e quer uma leitura espiritual diária de poucos minutos. Para jovens que estão definindo a vida profissional. Para quem quer viver a fé no trabalho. Para quem precisa de um empurrão para sair da acomodação.
Para quem talvez não seja a melhor escolha: quem está passando por um momento de fragilidade e precisa mais de consolo do que de desafio. O tom do livro é exigente, às vezes duro, com linguagem quase militar. Alguns pontos refletem a cultura da Espanha dos anos 1930 e soam datados. Para esse momento, livros mais acolhedores, como os de Santa Teresinha ou a Filoteia, podem ajudar mais.
Como ler
Leia um ou dois pontos por dia, não mais. Escolha um horário fixo, de preferência pela manhã, e leve a frase para o trabalho. Muita gente usa Caminho como ponto de partida para alguns minutos de oração pessoal.
Pode seguir a ordem dos capítulos ou escolher um tema que esteja precisando, como Oração ou Humildade. Marque os pontos que tocam mais e volte a eles depois. O livro cresce com a releitura.
Uma edição com notas históricas ajuda a entender o contexto de alguns pontos. O site oficial das obras do santo traz o texto e comentários. No portal, veja também a seção de orações e a de estudos para aprofundar.
Como usar em família e em grupo
Os pontos curtos de Caminho funcionam bem à mesa do café ou do jantar. Um membro da família lê um ponto em voz alta e cada um diz, em uma frase, o que aquilo significa para o seu dia. Leva menos de cinco minutos e cria um hábito bonito.
Em grupos de jovens ou de profissionais, uma proposta é escolher um capítulo por encontro. Cada participante traz o ponto que mais o incomodou e explica por quê. Os pontos que incomodam costumam render as melhores conversas.
Um lugar ligado ao autor
Perto de Barbastro, cidade natal de Escrivá, fica o santuário de Torreciudad, dedicado a Nossa Senhora. A tradição familiar conta que, quando Josemaria era bem pequeno e se curou de uma doença grave, os pais o levaram até a antiga ermida para agradecer à Virgem. Anos depois, ele impulsionou a construção do novo santuário, inaugurado em 1975.
Hoje Torreciudad recebe peregrinos do mundo inteiro. Na cripta do templo há capelas e confessionários, sinal da importância que o santo dava ao sacramento da confissão. Para os devotos de Maria no Brasil, é uma lembrança de que toda grande vocação costuma ter uma mãe por trás, como nos lembra a nossa Padroeira.
Ficha do livro
Título: Caminho. Título original: Camino. Autor: São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei. Primeira edição com este título: 1939, em Valência, Espanha. Versão anterior: Considerações Espirituais, 1934. Gênero: espiritualidade e meditação. Estrutura: 999 pontos em 46 capítulos. Tamanho: livro de bolso, em geral entre 200 e 300 páginas, conforme o formato. Festa do santo: 26 de junho, no calendário.
Nossa avaliação
Nota 4 de 5. Caminho é um clássico da espiritualidade moderna e um ótimo companheiro diário. A proposta de santificar o trabalho e a vida comum é profundamente atual, e a forma curta dos pontos combina com a rotina corrida de hoje.
Tiramos um ponto pelo tom. A linguagem firme, às vezes áspera, e algumas referências da época podem afastar leitores mais sensíveis ou quem procura uma leitura de consolo. Lido com calma e com bom senso, é um livro que ajuda muita gente a dar passos concretos. Veja outros reviews de livros católicos.
Continue lendo como assinante
Faltam 9 partes deste conteúdo. Assinantes leem tudo e recebem uma montagem nova com um santo todo mês.