O Diário, publicado como A Misericórdia Divina na Minha Alma, foi escrito por Santa Faustina entre 1934 e 1938.
Nele estão a origem da imagem de Jesus Misericordioso, do terço da misericórdia e da Hora da Misericórdia.
Leitura longa e intensa, ideal para quem já reza o terço da misericórdia. Nota do portal: 4,5 de 5.
Quem foi Santa Faustina
Helena Kowalska nasceu em 1905, numa família pobre de camponeses, na aldeia de Głogowiec, na Polônia. Era a terceira de dez filhos. Estudou menos de três anos na escola e, ainda adolescente, foi trabalhar como empregada doméstica para ajudar em casa.
Desde cedo sentia o chamado à vida religiosa. Depois de bater em várias portas, foi aceita em 1925 pela Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, em Varsóvia. Recebeu o nome de Irmã Maria Faustina. No convento, trabalhou na cozinha, no jardim e na portaria. Por fora, uma vida simples e escondida.
Por dentro, porém, ela vivia uma intensa experiência de oração. Faustina relatou ter recebido de Jesus a missão de lembrar ao mundo a misericórdia de Deus. Doente de tuberculose, morreu em Cracóvia, em 5 de outubro de 1938, com apenas 33 anos. Foi canonizada pelo papa São João Paulo II em 30 de abril de 2000.
Como o Diário foi escrito
Faustina escreveu por ordem dos seus confessores: o padre Miguel Sopoćko, em Vilna, e o padre José Andrasz, jesuíta, em Cracóvia. As anotações vão de 1934 a 1938, poucos meses antes da morte. Ao todo, são seis cadernos manuscritos, além de um caderno menor sobre a preparação para a comunhão.
Há um episódio curioso. Num período em que o padre Sopoćko estava fora, Faustina queimou parte do primeiro texto, convencida de que era o certo a fazer. Depois, por orientação do confessor, reescreveu o que lembrava. Por isso o primeiro caderno não segue ordem cronológica e mistura fatos de épocas diferentes.
Faustina tinha pouca instrução. O texto tem repetições e frases simples. Isso, longe de atrapalhar, dá ao Diário um tom de sinceridade.
Do que trata o livro
O Diário mistura relatos do dia a dia no convento, orações, propósitos, lutas interiores e as mensagens que Faustina diz ter recebido de Jesus. O tema central é um só: a misericórdia de Deus é maior do que qualquer pecado.
Do Diário nasceram as práticas que hoje fazem parte da devoção à Divina Misericórdia. A imagem de Jesus com dois raios saindo do peito, um pálido e um vermelho, com a inscrição Jesus, eu confio em Vós. O terço da misericórdia, rezado com as contas do terço comum. A Hora da Misericórdia, às três da tarde, lembrando a hora da morte de Jesus. E a festa da Misericórdia, no domingo depois da Páscoa.
A primeira pintura da imagem foi feita em Vilna, em 1934, pelo pintor Eugeniusz Kazimirowski, sob a orientação de Faustina e do padre Sopoćko.
O que mais marca na leitura
A confiança. Faustina repete de muitas formas que o maior pecador tem o maior direito à misericórdia. Para quem carrega culpas antigas, isso cai como um alívio. O livro insiste que a única coisa que fecha a porta da misericórdia é a falta de confiança.
Também marca o sofrimento da autora. Ela enfrentou incompreensão das irmãs, dúvidas dos superiores, aridez na oração e a doença que a matou jovem. Ofereceu tudo pela conversão dos pecadores. Ler essas páginas ajuda a ver o próprio sofrimento de outra forma.
E impressiona o cuidado com os moribundos. Várias passagens falam de rezar o terço da misericórdia junto a quem está morrendo. Muitas famílias passaram a fazer isso depois de ler o Diário.
Uma história de idas e vindas
Vale conhecer um detalhe histórico. Em 1959, por causa de traduções defeituosas e de dúvidas sobre o texto, a Santa Sé suspendeu a difusão da devoção nas formas propostas por Faustina. Em 1978, depois de um estudo cuidadoso do original, a restrição foi retirada. O processo teve o empenho do então arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyła.
Anos depois, já papa, João Paulo II canonizou Faustina e estabeleceu para toda a Igreja o Domingo da Divina Misericórdia. A homilia da canonização está no site do Vaticano. O santuário de Cracóvia, onde ela está sepultada, mantém o site oficial.
Para quem indicamos
Para quem já reza o terço da misericórdia e quer conhecer a origem da devoção. Para quem carrega culpa e acha que não tem perdão. Para quem cuida de doentes e idosos e quer rezar com eles. Para quem está longe da confissão há muito tempo: o Diário fala com ternura desse sacramento. Veja mais na seção de sacramentos.
Para quem talvez não seja o momento: quem tem tendência a escrúpulos ou a buscar revelações e sinais. O Diário relata visões e locuções, e é preciso lembrar que a Igreja as trata como revelações privadas. Elas ajudam a fé, mas não acrescentam nada ao que já foi revelado em Cristo. Também não é um livro para ler de uma vez: tem centenas de páginas e muitos trechos repetidos.
Como ler
A melhor forma é ler poucos números por dia. O texto é dividido em parágrafos numerados, o que facilita retomar a leitura. Muita gente lê às três da tarde, junto com a Hora da Misericórdia.
Não tente entender tudo de primeira. Alguns trechos místicos são difíceis. Siga em frente e guarde o que ajuda. Marque as orações que a própria Faustina escreveu, porque são lindas para rezar depois.
Prefira uma edição completa e aprovada, com introdução e notas. Desconfie de livretos com frases soltas do Diário sem indicação de origem. Para rezar junto, veja as orações do portal e as novenas. A novena da Divina Misericórdia, que começa na Sexta-feira Santa, também vem do Diário.
Por que ler hoje
Muita gente vive com o peso de erros antigos. Outros acham que Deus está cansado deles, ou que já pediram perdão vezes demais. O Diário responde a isso com uma insistência quase teimosa: Deus não se cansa de perdoar, e quanto maior a miséria, maior o direito à misericórdia.
Também há uma lição para quem se sente pequeno ou sem importância. Faustina era uma freira sem estudo, que descascava batatas e cuidava da portaria. Mesmo assim, a mensagem que ela registrou em cadernos simples atravessou o mundo. Deus continua escolhendo os pequenos.
Por fim, o livro ensina a confiar no meio do sofrimento. Para quem enfrenta doença, luto ou angústia, a frase Jesus, eu confio em Vós vira uma oração curta para repetir ao longo do dia.
Ficha do livro
Título em português: Diário de Santa Faustina: A Misericórdia Divina na Minha Alma. Autora: Santa Maria Faustina Kowalska, religiosa da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia. Escrito: entre 1934 e 1938, em polonês, em Vilna e Cracóvia. Gênero: diário espiritual. Tamanho: livro extenso, que costuma passar de 500 páginas. Festa da santa: 5 de outubro, no calendário.
Nossa avaliação
Nota 4,5 de 5. O Diário é um dos textos espirituais mais influentes do século XX. Mudou a vida de milhões de pessoas e deu à Igreja uma devoção hoje presente em quase todas as paróquias. A mensagem central, a confiança na misericórdia, é puro Evangelho.
Tiramos meio ponto apenas pela forma. O texto é longo, repetitivo e pode cansar quem não está acostumado com escritos místicos. Para muitos leitores, o melhor caminho é começar pelas orações e trechos mais conhecidos e, aos poucos, avançar no livro inteiro. Veja outros reviews de livros católicos.
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